06/07/2026

Operadora afirma que funcionários foram abordados por homens armados e que organização criminosa tenta impedir a atuação de empresas concorrentes

Operadora de internet denuncia ameaças a técnicos e restrições à atuação na Região Oceânica de Niterói

Operadora de internet denuncia ameaças a técnicos e restrições à atuação na Região Oceânica de Niterói

A operadora Leste Telecom denunciou que técnicos da empresa vêm sendo ameaçados e impedidos de atuar em bairros da Região Oceânica de Niterói por integrantes de uma organização criminosa. Segundo a empresa, as restrições ocorrem em localidades como Engenho do Mato, Maravista e Parque Rural e têm como objetivo impedir a atuação de operadoras concorrentes para favorecer um provedor ligado ao grupo criminoso. Segundo a operado, o caso é investigado pela 81ª DP (Itaipu).

Após ganhar repercussão um comunicado enviado pela Leste Telecom aos clientes informando que diversas ruas da Região Oceânica passaram a ser classificadas como áreas de risco após sucessivos episódios envolvendo funcionários da empresa, a situação ganhou mais uma vez visibilidade.

Segundo a operadora, integrantes de uma organização criminosa estariam impedindo o acesso de técnicos para favorecer um provedor ligado ao grupo que atua na região. A empresa afirma que, caso as equipes continuem sendo impedidas de acessar determinados endereços, poderá haver impactos na continuidade da prestação do serviço.

O comunicado passou a circular entre clientes nos últimos dias e ampliou a repercussão dos relatos publicados por moradores nas redes sociais. Nas mensagens, moradores relatam preocupação com o avanço das restrições impostas às empresas de telecomunicações e com a possibilidade de interrupção dos serviços de internet.

Um dos episódios narrados pela empresa ocorreu na Avenida Augusto Ferreira Ramos, em Maravista. De acordo com o relato, um técnico realizava um atendimento quando foi abordado por dois homens em uma motocicleta.

Segundo o funcionário, um dos suspeitos retirou a escada enquanto ele ainda estava sobre ela. Depois que conseguiu descer, teria sido obrigado a permanecer sentado no meio-fio enquanto os homens faziam uma ligação para uma pessoa que, segundo eles, estaria presa.

Ainda de acordo com o relato, durante a ligação os suspeitos afirmaram que a Leste Telecom não poderia atuar na região por determinação da organização criminosa que controla o território. O técnico também disse que um dos homens manteve uma arma encostada em seu ombro e chutava sua bota enquanto aguardava o término da ligação. Após o contato telefônico, ele foi liberado.

A operadora afirma que este não foi um caso isolado. Segundo a empresa, outras equipes também sofreram abordagens semelhantes nos últimos dias, o que levou à classificação de parte da Região Oceânica como área de risco para preservar a segurança dos funcionários.

No comunicado enviado aos clientes, a Leste Telecom informa que as intimidações vêm sendo registradas desde o fim do ano passado e afirma ter comunicado os órgãos responsáveis. A empresa sustenta que provedores ligados ao crime organizado instalaram infraestrutura em parte da Região Oceânica e estariam tentando assumir a carteira de clientes de operadoras concorrentes.

A empresa também orientou os clientes a encaminharem informações ao Disque Denúncia sobre pessoas, empresas ou estruturas supostamente utilizadas pelos criminosos, como números de telefone, chaves Pix, endereços, materiais de divulgação e bases operacionais.

Em nota, a Leste Telecom confirmou que equipes técnicas vêm sofrendo ameaças durante atendimentos na Região Oceânica e informou que permanece colaborando com as autoridades, comunicando cada ocorrência registrada e adotando medidas para reduzir os impactos aos clientes.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que acompanha casos envolvendo interrupção ou impedimento da prestação de serviços de telecomunicações, mas ressaltou que situações relacionadas à prática de crimes devem ser comunicadas aos órgãos de segurança pública competentes. A agência afirmou ainda que permanece à disposição para atuar dentro de suas atribuições regulatórias, buscando assegurar a continuidade dos serviços.

Já a Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint) manifestou preocupação com os episódios de violência e intimidação contra empresas do setor. A entidade defendeu a livre concorrência, a segurança dos trabalhadores e o funcionamento regular dos serviços de conectividade, colocando-se à disposição para colaborar com as investigações.

Fonte: O Globo

Imagem: Comunicado enviado pela Leste Telecom a clientes denuncia ameaças a técnicos e diz ter atuação restringida na Região Oceânica